Em nota, entidades ligadas à Igreja
Católica no Brasil se posicionaram contra a redução da maioridade penal. Em
2013, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu
Conselho Permanente, também emitiu nota na qual reafirmava “que a redução da maioridade não é a
solução para o fim da violência”.
Na ocasião, os bispos da CNBB alertavam
a sociedade que a medida é uma “negação da Doutrina da Proteção Integral que
fundamenta o tratamento jurídico dispensado às crianças e adolescentes pelo
Direito Brasileiro”. E que “a Igreja no Brasil continua acreditando na
capacidade de regeneração do adolescente quando favorecido em seus direitos
básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o
ser humano”.
O posicionamento
contra a redução da maioridade penal também foi manifestado por organismos
ligados à CNBB como a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC),
Cáritas Brasileira e Pastoral da Juventude (PJ).
A Cáritas Brasileira, articulada em 133
entidades no Brasil e, com mais de 20 anos trabalhando na promoção e defesa dos
direitos da criança e adolescente, juntamente com a Pastoral do Menor, reafirma
seu compromisso de promover e defender a vida das crianças e dos adolescentes.
“Cabe destacar que as medidas de
redução de direitos, principalmente no que se refere à
redução da maioridade penal e do aumento do período de internação, atinge
principalmente os e as jovens marginalizados e marginalizadas, negros e negras,
aqueles que moram na periferia, que já tiveram todos os seus direitos de
sobrevivência negados previamente”, consta no manifesto da Cáritas.
Presente em 900
municípios brasileiros, sendo responsável pela formação de aproximadamente 2,5
milhões de crianças, jovens e adultos, a ANEC também se posicionou contra a
redução da maioridade penal, dizendo que “não se pode arguir como proposta para
a diminuição da crescente violência no país a redução da maioridade penal, como
se esta fosse uma fórmula mágica para resolver o problema da violência que
tanto atormenta a população brasileira”. Para a entidade, “a violência cometida
não tem sua origem e nenhum desvio humano dos adolescentes, sim de uma
realidade brutal e de negação de direitos que leva esses adolescentes a cometer
tais atos”.
Em defesa dos direitos e promoção da
vida dos jovens, a Pastoral da Juventude (PJ), ligada à CNBB, manifestou repúdio as tentativas da
redução da maioridade penal. A PJ possui mais de 40
anos de história, articulando cerca de 10 mil grupos de jovens pelo país. No
texto, a Pastoral destacou o fato do Brasil possuir a quarta maior população
carcerária do mundo, com mais de 563 mil pessoas encarceradas, conforme dados
apresentados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em junho de 2014.
Desta forma, a PJ
reafirma que “a criminalidade e a violência na qual estão inseridos
adolescentes e jovens são frutos de um modelo neoliberal de produção e consumo
que opera na manutenção das injustiças socioeconômicas, e devem urgentemente
ser transformadas, especialmente a partir da construção de políticas que
garantam direitos básicos à juventude e adolescentes, como o direito à educação
e saúde de qualidade, moradia digna e trabalho decente”.
Com
informações da entidades e foto Cáritas.
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