AS
MÍDIAS E QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS
André
José do Nascimento
O vídeo “Cores e botas”
representa uma interessante via de discussão acerca das representações sobre a
população negra no Brasil. A partir dele podemos refletir sobre as
particularidades do racismo na sociedade brasileira, e como este se expressa
tanto na mídia quanto nas relações interpessoais, destacando-se aqui o papel do
ambiente escolar.
A partir da sua leitura,
reflita e responda: Em que aspectos/falas/atitudes dos personagens é possível
perceber a ideologia da democracia racial em ação? De que modo a televisão e a
escola (duas das mais importantes instituições na socialização infantil)
contribuem, no vídeo, para a perpetuação dessa representação ideológica? Que
estratégias pedagógicas você proporia para problematizar essa ausência da
representação positiva do homem negro e da mulher negra na televisão?
O vídeo “Cores e bota” é
uma clara demonstração de que o mito da democracia racial está presente em
nossa sociedade, basta observamos as telenovelas, onde o negro muitas vezes é
representado nos papeis de inferioridade, Solange Martins Couceiro de Lima, no
seu artigo: Reflexos do “Racismo à brasileira na mídia”, diz o seguinte:
“Ninguém
desconhecer a galeria de papeis subalternos, de empregados domésticos,
subservientes ou então estereotipados que foram sempre reservados a atores e
atrizes negros. Ou então são as famosas mulatas que sempre serviram de tempero
para as histórias brasileiras. ” (LIMA, pag.58)
Dessa forma a mídia vem contribuindo
de forma contundente e ideológica para a sustentação do racismo no Brasil,
mostrando sempre o negro numa posição social de inferioridade. Já que a
população negra é maioria nesse país, mas a mídia tenta demonstra um outro
lado, que é uma sociedade formada por maioria branca, causando uma situação de
racismo. Por que passa para a grande massa uma ideia de embranquecimento.
Essa discussão nos leva a perceber o
quanto a cultura afro-brasileira é desprezada pela mídia, e isso afeita muitas
vezes o ambiente escolar, por que o aluno não se sente representado nos
programas midiáticos, e quando é representando é sempre de forma pejorativa,
como um exótico, símbolo sexual e etc. Isto faz com que o negro e a negra se
sinta inferior perante ao branco, que é mostrado como sinônimo de beleza e de
sucesso.
É preciso que o professor reflita
juntamente com seus alunos sobre o mito da democracia racial. Em uma sociedade
onde quase a meda população se considera declaram pardas e negras, totalizando
assim 46% da população do Brasil se declararão. Então onde estão esses negros?
Nos programas televisivos, esse negro só é mostrado na mídia muitas vezes em
páginas policiais. Como mostra os dados do IBGE:
Em comparação com o Censo realizado em 2000,
o percentual de pardos cresceu de 38,5% para 43,1% (82 milhões de pessoas) em
2010. A proporção de negros também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões. No
mesmo período. Esse resultado também aponta que a população que se autodeclara
branca caiu de 53,7% para 47,7% (91 milhões de brasileiros. (IBGE,2010)
Dessa forma poderemos abri uma discursão sobre
a existência do racismo no Brasil, em que o negro e a negra são as principais
vítimas de uma ideologia, onde é colocado que o negro será sempre inferior ao
branco. Por outro lado, podemos contribui para que os negros continuem lutando
contra essa ideologia de inferioridade, mostrando a sua História de luta, resistência
e identidade. Quando trazemos para sala de aula temas relacionados aos negros e
negras será preciso mostra aos educandos que os africanos que foram trazidos
para o Brasil como escravos, tinham uma organização social e cultural muito
forte, que vieram para as colônias portuguesas reis, rainhas, guerreiros, e que
a população negra nunca aceitou a escravidão.
Nessa
luta contra a “dominação” do branco sobre o negro, foi combatida por várias
pessoas como Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, na África do Sul e tantos
outros. É preciso mostra para os alunos os heróis negros que até hoje lutam
contra o racismo no Brasil. Além disso, é preciso desconstruir essa imagem que mídia
impõe a população uma imagem do negro subalterno, exótico, sexual.
Isto
tudo pode ser combatido através de ações pedagógicas, como depoimento de negros
e negras que apesar do racismo poderão chegar a uma posição de destaque na
sociedade, com vídeos relatando a cultura afro-brasileira e outros temas que
destaque os negros e negras. Uma experiência que tive na escola onde ministro
aulas de História, foi a Semana da Consciência Negra, tivemos uma semana de
debates abordando vários temas. Essas são algumas formas de combate ao racismo
existente no Brasil.
O livro-didático e a história e cultura afro-brasileiras: auxílio
pedagógico ou ferramenta de perpetuação de preconceitos?
O ensino da história e cultura afro-brasileira e
africana no Brasil sempre foi lembrado nas aulas de História com o tema da
escravidão negra africana. No presente texto pretendemos esboçar uma reflexão sobre
como os livros didáticos tem abordado esse tema a partir implantação da Lei
10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da
história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e
particulares, do ensino fundamental e
médio.
A Lei 11.645/2008 altera a Lei 9.394/1996, modificada pela Lei
10.639/2003, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para
incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática
“História e cultura afro-brasileira e indígena”. Isso implica a necessidade de
abordar a temática em questão no ensino de todas as disciplinas do currículo da
educação básica, que inclui o ensino fundamental e médio.
O livro didático durante muitos anos tratou a população negra como um
subalterno que sempre viveu sobre a sombra do branco, que com sua ideologia de
embranquecimento deixou de lado a História de um povo que sempre lutou por sua
liberdade durante todo período da escravidão, essa ideologia racista perpassou
séculos. Com as implantações das leis citadas anteriormente, tentamos
conscientiza a sociedade de que a população negra é construtora de uma História
que foi renegada em nome de uma elite escravocrata, que via no negro e na negra
pessoas inferiores ao branco.
Sabemos que a escola compreende um
espaço de complexos de debates de diferentes propostas de construção e
socialização de saberes ( PCNH, pag. 19). Em relação a História e cultura afro-brasileira,
era retratada de forma destorcida, onde o negro era visto sempre como um
subalterno, um marginal, esses são alguns exemplos que os livros didáticos
traziam do negro. Isso só foi mudando com a luta dos movimentos negros e
acordos internacionais que obrigou o Brasil a implanta políticas de igualdade
racial para repara as atrocidades que população negra viveu durante séculos.
Podemos considerar como movimento negro
todas as entidades ou indivíduos que lutaram e lutam pela sua liberdade,
desenvolvem estratégias de ocupação de espaços e territórios, denunciam,
reivindicam e desenvolvem ações concretas para sua conquista dos direitos
fundamentais da sociedade. (BOULOS, pag. 40)
A escola tem um papel fundamental na
formação de novos cidadãos e o livro didático é um dos principais mecanismos
nesse processo, atualmente os livros de História aborda de forma positiva a
imagem do negro e negra, fazendo uma abordagem Historiográfica desde da origem
da humanidade até a formação primeiras civilizações que surgiram na África. E
também a História dos afro-brasileiros desde da colonização portuguesa na
África, passando pela escravidão e as várias formas de resistência a
escravidão.
O livro didático de História traz uma
imagem positiva do negro, na medida que mostra imagens de famílias negras,
pessoas de destaque na sociedade brasileira como o ex-presidente do Supremo
Tribunal de justiça Joaquim Barbosa, além disso, também trazem os costumes e a
cultura afro-brasileira, isto mostra o quanto os livros didáticos vem sofrendo
alterações no decorrer dos anos. Mais pôr a escola ser um lugar complexo de
debates os professores não devem apenas utilizarem o livro didático como única
ferramenta de discussões sobre a temática do negro é preciso utilizar outros
meios de fomentação como a internet, filmes, livros paradidáticos que tratem do
assunto.
Um professor comprometido com ensino
busca se qualificar para tenta transforma a realidade, esse princípio é
fundamental por que a escola é onde se forma os futuros cidadãos então cabe ao
educador combater as práticas racista que persiste na sociedade. Quando a
temática é abordada no ambiente escolar ainda percebermos a resistência de
alguns professores que se negam a trabalha a História e a cultura
afro-brasileira por causa de ideologia religiosas e até mesmo preconceituosa.
É preciso que alguns professores
juntamente com coordenação pedagógica elaborem o seu plano de ensino
aprendizagem e que incentivem seus colegas a trata da temática negra, por que o
que adiante o livro didático aborda o tema se o educador e até mesmo a escola
não se comprometem a desenvolver o conteúdo com os educandos.
A Lei 10.639/03 propõe
novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura
afro-brasileira e africana. Por exemplo, os professores devem ressaltar em sala
de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade
brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos,
valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais
negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de
matrizes africanas.
A escola por força das
leis 10. 639/03 e da 11.645/2008,
não se pode mais negar a História de um povo que sempre viveu as margens da
sociedade, por isso, os livros didáticos foram obrigados a trata da cultura
afro-brasileira e História da África, essa é uma das formas de combater o
preconceito contra o negro que foi instituído por uma elite branca e
escravocrata. A construção da cidadania do negro passa pela escola que tem como
um dos seus princípios forma cidadãos conscientes do seu papel na sociedade, e
isto só será possível quando realmente com a igualdade dos povos ou nações que
ajudaram na formação étnica e sociocultural do Brasil.
É de fundamental
importância que não só escola mais também toda comunidade escola se envolva na discussão
da cultura afro-brasileira e africana, como já foi dito: o livro didático não é
a única forma de trazer a temática ou historiografia do negro para a sala de
aula. O livro é apenas o ponto inicial de uma discussão que perpassa o ambiente
escolar, por isso a preocupação de muitos educadores é fazer com que o educando
perceba a importância do negro e de sua cultura na formação do Brasil. É
preciso também que o professor desenvolva atividades de construção de uma
imagem positiva do negro por que a lei só será eficaz se todos nós que
trabalhos na área de educação comprometemos com a construção de uma sociedade
justa e igualitária.
As lutas que os
movimentos negros vieram travando durante os séculos tem sido de fundamental
importância na construção da cidadania do negro e da negra brasileira, onde uma
das suas principais conquistas foi a obrigatoriedade de os livros didáticos
trazerem de forma positiva a História do povo negro. Esse processo não para por
aqui é preciso que os educadores assumam o seu papel como formador de opinião,
quebrando paradigmas que foram impostos a população negra.
Além disso, as escolas
devem adotar os livros que trazem a temática negra, não importando qual seja
área de conhecimento, pois o MEC juntamente com as secretarias de educação
disponibiliza subsídios para escolha dos livros didáticos e umas das
orientações nesses subsídios é justamente é como escolher o material didático
que traga a História e cultura afro-brasileira.
O governo brasileiro vem
tentando repara a população negra de tudo que eles sofreram no decorrer da
História brasileira, por meios de ações afirmativas que vem contribuindo para
uma construção positiva da imagem do negro perante a sociedade, isto fica bem
explicito quando atualmente pegamos um livro didático encontramos a História do
negro e imagens positivas dessa população que durante muitos anos tentaram
esconder, com a ideologia do branqueamento.
Portanto, a escola é o
ponto de partida para a transformação de uma sociedade, e o livro didático é de
fundamental importância nesse processo, por que é através dele que o educando
terá o conhecimento necessário para sua vida. Lembrando que o livro não é o
único mecanismo de conhecimento, já temos a internet, a televisão e uma serie
de mídias que servem também para fomentação do conhecimento. É preciso um maior
desprendimento dos professores quando forem trata de um determinado assunto na
sala de aula, principalmente a questão étnica racial.
Por fim, o educador não
pode mais se omitir para tais questões, por que até alguns alunos podem aborda
ou indaga o professor por que não abordou tal assunto já que o livro aborda o
assunto em uns dos seus capítulos. A escola não tem mais aquela desculpa que
não tem material didático para aborda a História e cultura afro-brasileira e a
História da África, por que até livros paradidáticos, revistas, cartazes e
outros matérias que trazem esse tema à tona.
A escola pode até ser um
espaço preconceituoso, mais isso ocorre ainda hoje por que a equipe gestora
juntamente com os seus professores possuem uma postura racista e preconceituosa
que deve ser combatida por aqueles que conhecem a leis que dá o direito de o
negro e negra terem a sua História sendo trabalhada em sala de aula, não de
forma pejorativa mais de forma positiva, relatando a resistência do povo negro
através dos tempos.
Referências Bibliográfica
·
BOULOS
JUNIOR, Alfredo. História sociedade e cidadania. São Paulo: FTD, 2012.
·
BORGES,
Roberto Carlos da Silva (org.). Mídia e Racismo: Coleção
Negras e Negros: Pesquisas e Debates. ISBN da coleção: 978-85-61593-51-3.
·
Lei 10.639/03
- Diretrizes Curriculares para o estudo da História e cultura afro-brasileira e
africana.
·
Lei 11.645/08 - Incluir
no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História
e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
·
Parâmetros
Curriculares de História do Ensino Fundamental e Médio do Estado de Pernambuco.
Pernambuco: UNDIME,2010.
·
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