terça-feira, 12 de julho de 2016

AS MÍDIAS E QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS
André José do Nascimento

         O vídeo “Cores e botas” representa uma interessante via de discussão acerca das representações sobre a população negra no Brasil. A partir dele podemos refletir sobre as particularidades do racismo na sociedade brasileira, e como este se expressa tanto na mídia quanto nas relações interpessoais, destacando-se aqui o papel do ambiente escolar.
         A partir da sua leitura, reflita e responda: Em que aspectos/falas/atitudes dos personagens é possível perceber a ideologia da democracia racial em ação? De que modo a televisão e a escola (duas das mais importantes instituições na socialização infantil) contribuem, no vídeo, para a perpetuação dessa representação ideológica? Que estratégias pedagógicas você proporia para problematizar essa ausência da representação positiva do homem negro e da mulher negra na televisão?
          O vídeo “Cores e bota” é uma clara demonstração de que o mito da democracia racial está presente em nossa sociedade, basta observamos as telenovelas, onde o negro muitas vezes é representado nos papeis de inferioridade, Solange Martins Couceiro de Lima, no seu artigo: Reflexos do “Racismo à brasileira na mídia”, diz o seguinte:
“Ninguém desconhecer a galeria de papeis subalternos, de empregados domésticos, subservientes ou então estereotipados que foram sempre reservados a atores e atrizes negros. Ou então são as famosas mulatas que sempre serviram de tempero para as histórias brasileiras. ” (LIMA, pag.58)

         Dessa forma a mídia vem contribuindo de forma contundente e ideológica para a sustentação do racismo no Brasil, mostrando sempre o negro numa posição social de inferioridade. Já que a população negra é maioria nesse país, mas a mídia tenta demonstra um outro lado, que é uma sociedade formada por maioria branca, causando uma situação de racismo. Por que passa para a grande massa uma ideia de embranquecimento.
          Essa discussão nos leva a perceber o quanto a cultura afro-brasileira é desprezada pela mídia, e isso afeita muitas vezes o ambiente escolar, por que o aluno não se sente representado nos programas midiáticos, e quando é representando é sempre de forma pejorativa, como um exótico, símbolo sexual e etc. Isto faz com que o negro e a negra se sinta inferior perante ao branco, que é mostrado como sinônimo de beleza e de sucesso. 
         É preciso que o professor reflita juntamente com seus alunos sobre o mito da democracia racial. Em uma sociedade onde quase a meda população se considera declaram pardas e negras, totalizando assim 46% da população do Brasil se declararão. Então onde estão esses negros? Nos programas televisivos, esse negro só é mostrado na mídia muitas vezes em páginas policiais. Como mostra os dados do IBGE:

   Em comparação com o Censo realizado em 2000, o percentual de pardos cresceu de 38,5% para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010. A proporção de negros também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões. No mesmo período. Esse resultado também aponta que a população que se autodeclara branca caiu de 53,7% para 47,7% (91 milhões de brasileiros. (IBGE,2010)

           Dessa forma poderemos abri uma discursão sobre a existência do racismo no Brasil, em que o negro e a negra são as principais vítimas de uma ideologia, onde é colocado que o negro será sempre inferior ao branco. Por outro lado, podemos contribui para que os negros continuem lutando contra essa ideologia de inferioridade, mostrando a sua História de luta, resistência e identidade. Quando trazemos para sala de aula temas relacionados aos negros e negras será preciso mostra aos educandos que os africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos, tinham uma organização social e cultural muito forte, que vieram para as colônias portuguesas reis, rainhas, guerreiros, e que a população negra nunca aceitou a escravidão.
         Nessa luta contra a “dominação” do branco sobre o negro, foi combatida por várias pessoas como Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, na África do Sul e tantos outros. É preciso mostra para os alunos os heróis negros que até hoje lutam contra o racismo no Brasil. Além disso, é preciso desconstruir essa imagem que mídia impõe a população uma imagem do negro subalterno, exótico, sexual.
         Isto tudo pode ser combatido através de ações pedagógicas, como depoimento de negros e negras que apesar do racismo poderão chegar a uma posição de destaque na sociedade, com vídeos relatando a cultura afro-brasileira e outros temas que destaque os negros e negras. Uma experiência que tive na escola onde ministro aulas de História, foi a Semana da Consciência Negra, tivemos uma semana de debates abordando vários temas. Essas são algumas formas de combate ao racismo existente no Brasil.
O livro-didático e a história e cultura afro-brasileiras: auxílio pedagógico ou ferramenta de perpetuação de preconceitos?
        O ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no Brasil sempre foi lembrado nas aulas de História com o tema da escravidão negra africana. No presente texto pretendemos esboçar uma reflexão sobre como os livros didáticos tem abordado esse tema a partir implantação da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental e médio.

         A Lei 11.645/2008 altera a Lei 9.394/1996, modificada pela Lei 10.639/2003, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”. Isso implica a necessidade de abordar a temática em questão no ensino de todas as disciplinas do currículo da educação básica, que inclui o ensino fundamental e médio. 

         O livro didático durante muitos anos tratou a população negra como um subalterno que sempre viveu sobre a sombra do branco, que com sua ideologia de embranquecimento deixou de lado a História de um povo que sempre lutou por sua liberdade durante todo período da escravidão, essa ideologia racista perpassou séculos. Com as implantações das leis citadas anteriormente, tentamos conscientiza a sociedade de que a população negra é construtora de uma História que foi renegada em nome de uma elite escravocrata, que via no negro e na negra pessoas inferiores ao branco. 
       Sabemos que a escola compreende um espaço de complexos de debates de diferentes propostas de construção e socialização de saberes ( PCNH, pag. 19). Em relação a História e cultura afro-brasileira, era retratada de forma destorcida, onde o negro era visto sempre como um subalterno, um marginal, esses são alguns exemplos que os livros didáticos traziam do negro. Isso só foi mudando com a luta dos movimentos negros e acordos internacionais que obrigou o Brasil a implanta políticas de igualdade racial para repara as atrocidades que população negra viveu durante séculos.

      Podemos considerar como movimento negro todas as entidades ou indivíduos que lutaram e lutam pela sua liberdade, desenvolvem estratégias de ocupação de espaços e territórios, denunciam, reivindicam e desenvolvem ações concretas para sua conquista dos direitos fundamentais da sociedade. (BOULOS, pag. 40)

        A escola tem um papel fundamental na formação de novos cidadãos e o livro didático é um dos principais mecanismos nesse processo, atualmente os livros de História aborda de forma positiva a imagem do negro e negra, fazendo uma abordagem Historiográfica desde da origem da humanidade até a formação primeiras civilizações que surgiram na África. E também a História dos afro-brasileiros desde da colonização portuguesa na África, passando pela escravidão e as várias formas de resistência a escravidão.
        O livro didático de História traz uma imagem positiva do negro, na medida que mostra imagens de famílias negras, pessoas de destaque na sociedade brasileira como o ex-presidente do Supremo Tribunal de justiça Joaquim Barbosa, além disso, também trazem os costumes e a cultura afro-brasileira, isto mostra o quanto os livros didáticos vem sofrendo alterações no decorrer dos anos. Mais pôr a escola ser um lugar complexo de debates os professores não devem apenas utilizarem o livro didático como única ferramenta de discussões sobre a temática do negro é preciso utilizar outros meios de fomentação como a internet, filmes, livros paradidáticos que tratem do assunto.
             Um professor comprometido com ensino busca se qualificar para tenta transforma a realidade, esse princípio é fundamental por que a escola é onde se forma os futuros cidadãos então cabe ao educador combater as práticas racista que persiste na sociedade. Quando a temática é abordada no ambiente escolar ainda percebermos a resistência de alguns professores que se negam a trabalha a História e a cultura afro-brasileira por causa de ideologia religiosas e até mesmo preconceituosa.
            É preciso que alguns professores juntamente com coordenação pedagógica elaborem o seu plano de ensino aprendizagem e que incentivem seus colegas a trata da temática negra, por que o que adiante o livro didático aborda o tema se o educador e até mesmo a escola não se comprometem a desenvolver o conteúdo com os educandos.
         A Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana. Por exemplo, os professores devem ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas.
         A escola por força das leis 10. 639/03 e da 11.645/2008, não se pode mais negar a História de um povo que sempre viveu as margens da sociedade, por isso, os livros didáticos foram obrigados a trata da cultura afro-brasileira e História da África, essa é uma das formas de combater o preconceito contra o negro que foi instituído por uma elite branca e escravocrata. A construção da cidadania do negro passa pela escola que tem como um dos seus princípios forma cidadãos conscientes do seu papel na sociedade, e isto só será possível quando realmente com a igualdade dos povos ou nações que ajudaram na formação étnica e sociocultural do Brasil.
         É de fundamental importância que não só escola mais também toda comunidade escola se envolva na discussão da cultura afro-brasileira e africana, como já foi dito: o livro didático não é a única forma de trazer a temática ou historiografia do negro para a sala de aula. O livro é apenas o ponto inicial de uma discussão que perpassa o ambiente escolar, por isso a preocupação de muitos educadores é fazer com que o educando perceba a importância do negro e de sua cultura na formação do Brasil. É preciso também que o professor desenvolva atividades de construção de uma imagem positiva do negro por que a lei só será eficaz se todos nós que trabalhos na área de educação comprometemos com a construção de uma sociedade justa e igualitária.
           As lutas que os movimentos negros vieram travando durante os séculos tem sido de fundamental importância na construção da cidadania do negro e da negra brasileira, onde uma das suas principais conquistas foi a obrigatoriedade de os livros didáticos trazerem de forma positiva a História do povo negro. Esse processo não para por aqui é preciso que os educadores assumam o seu papel como formador de opinião, quebrando paradigmas que foram impostos a população negra.
          Além disso, as escolas devem adotar os livros que trazem a temática negra, não importando qual seja área de conhecimento, pois o MEC juntamente com as secretarias de educação disponibiliza subsídios para escolha dos livros didáticos e umas das orientações nesses subsídios é justamente é como escolher o material didático que traga a História e cultura afro-brasileira.
           O governo brasileiro vem tentando repara a população negra de tudo que eles sofreram no decorrer da História brasileira, por meios de ações afirmativas que vem contribuindo para uma construção positiva da imagem do negro perante a sociedade, isto fica bem explicito quando atualmente pegamos um livro didático encontramos a História do negro e imagens positivas dessa população que durante muitos anos tentaram esconder, com a ideologia do branqueamento.
          Portanto, a escola é o ponto de partida para a transformação de uma sociedade, e o livro didático é de fundamental importância nesse processo, por que é através dele que o educando terá o conhecimento necessário para sua vida. Lembrando que o livro não é o único mecanismo de conhecimento, já temos a internet, a televisão e uma serie de mídias que servem também para fomentação do conhecimento. É preciso um maior desprendimento dos professores quando forem trata de um determinado assunto na sala de aula, principalmente a questão étnica racial.
          Por fim, o educador não pode mais se omitir para tais questões, por que até alguns alunos podem aborda ou indaga o professor por que não abordou tal assunto já que o livro aborda o assunto em uns dos seus capítulos. A escola não tem mais aquela desculpa que não tem material didático para aborda a História e cultura afro-brasileira e a História da África, por que até livros paradidáticos, revistas, cartazes e outros matérias que trazem esse tema à tona.
         A escola pode até ser um espaço preconceituoso, mais isso ocorre ainda hoje por que a equipe gestora juntamente com os seus professores possuem uma postura racista e preconceituosa que deve ser combatida por aqueles que conhecem a leis que dá o direito de o negro e negra terem a sua História sendo trabalhada em sala de aula, não de forma pejorativa mais de forma positiva, relatando a resistência do povo negro através dos tempos.

Referências Bibliográfica 
·         BOULOS JUNIOR, Alfredo. História sociedade e cidadania. São Paulo: FTD, 2012.
·         BORGES, Roberto Carlos da Silva (org.). Mídia e Racismo: Coleção Negras e Negros: Pesquisas e Debates. ISBN da coleção: 978-85-61593-51-3.
·         Lei 10.639/03 - Diretrizes Curriculares para o estudo da História e cultura afro-brasileira e africana.
·         Lei 11.645/08 -  Incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
·         Parâmetros Curriculares de História do Ensino Fundamental e Médio do Estado de Pernambuco. Pernambuco: UNDIME,2010.   
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