sexta-feira, 30 de setembro de 2016

As Cruzadas

De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de recuperar Jerusalém (que se encontrava sob domínio dos turcos seldjúcidas) e reunificar o mundo cristão, dividido com a “Cisma do Oriente”. Essas expedições ficaram conhecidas como Cruzadas.
A Europa do século XI prosperava. Com o fim das invasões bárbaras, teve início um período de estabilidade e um crescimento do comércio. Consequentemente, a população também cresceu. No mundo feudal, apenas o primogênito herdava os feudos, o que resultou em muitos homens para pouca terra. Os homens, sem-terra para tirar seu sustento, se lançaram na criminalidade, roubando, saqueando e sequestrando. Algo precisava ser feito.

Como foi dito anteriormente, o mundo cristão se encontrava dividido. Por não concordarem com alguns dogmas da Igreja Romana (adoração a santos, cobrança de indulgências, etc.), os católicos do Oriente fundaram a Igreja Ortodoxa. Jerusalém, a Terra Santa, pertencia ao domínio árabe e até o século XI eles permitiram as peregrinações cristãs à Terra Santa. Mas no final do século XI, povos da Ásia Central, os turcos seldjúcidas, tomaram Jerusalém. Convertidos ao islamismo, os seldjúcidas eram bastante intolerantes e proibiram o acesso dos cristãos a Jerusalém.

Em 1095, o papa Urbano II convocou expedições com o intuito de retomar a Terra Sagrada. Os cruzados (como ficaram conhecidos os expedidores) receberam esse nome por carregarem uma grande cruz, principal símbolo do cristianismo, estampada nas vestimentas. Em troca da participação, ganhariam o perdão de seus pecados.

A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os séculos XI e XIII, partiram para o Oriente oito Cruzadas.

A primeira (1096 – 1099) não tinha participação de nenhum rei. Formada por cavaleiros da nobreza, em julho de 1099, tomaram Jerusalém. A segunda (1147 – 1149) fracassou em razão das discordâncias entre seus líderes Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império. Em 1189, Jerusalém foi retomada pelo sultão muçulmano Saladino. A terceira cruzada (1189 – 1192), conhecida como ‘”Cruzada dos Reis”, contou com a participação do rei inglês Ricardo Coração de Leão, do rei francês Filipe Augusto e do rei Frederico Barbarruiva, do Sacro Império. Nessa cruzada foi firmado um acordo de paz entre Ricardo e Saladino, autorizando os cristãos a fazerem peregrinações a Jerusalém. A quarta cruzada (1202 – 1204) foi financiada pelos venezianos, interessados nas relações comerciais. A quinta (1217 – 1221), liderada por João de Brienne, fracassou ao ficar isolada pelas enchentes do Rio Nilo, no Egito. A sexta (1228 – 1229) ficou marcada por ter retomado Jerusalém, Belém e Nazaré, cidades invadidas pelos turcos. A sétima (1248 – 1250) foi comandada pelo rei francês Luís IX e pretendia, novamente, tomar Jerusalém, mais uma vez retomada pelos turcos. A oitava (1270) e última cruzada foi um fracasso total. Os cristãos não criaram raízes entre a população local e sucumbiram.

As Cruzadas não conseguiram seus principais objetivos, mas tiveram outras consequências como o enfraquecimento da aristocracia feudal, o fortalecimento do poder real, a expansão do mercado e o enriquecimento do Oriente.

As Consequências  
Quando retomamos as motivações das Cruzadas, observamos que esse movimento de ordem religiosa e militar apareceu na Europa com intuito de resolver uma série de entraves que tomavam a Europa Medieval. Por um lado, os cruzadistas tinham o interesse de expulsar os muçulmanos da Terra Santa. Por outro, tinham visível interesse de buscar novas terras que pudessem atender a crescente demanda econômica da população europeia.
Em um primeiro momento, a conquista de terras e o controle da cidade de Jerusalém foram alcançados pelas tropas cristãs. Entretanto, o êxito teve pouca duração mediante as sucessivas vitórias que recolocaram a Terra Santa sob administração muçulmana e as reconquistas dos domínios orientais tomados pelos cristãos. Por fim, os reinos latinos, estabelecidos nas primeiras cruzadas, foram reduzidos a algumas porções da Palestina e da Síria.
Apesar de tais limitações, as Cruzadas tiveram papel fundamental para que a civilização europeia trilhasse novos rumos. Os saques promovidos no Oriente permitiram que uma expressiva quantidade de moedas adentrasse a economia feudal. Com isso, os comerciantes tiveram condições para criar companhias de comércio que transitavam entre o Ocidente e o Oriente. Progressivamente, o medo das terras longínquas perdeu espaço para um renovado espírito empreendedor.

As rotas comerciais permitiram o desenvolvimento das cidades ocidentais e a aproximação dos saberes das civilizações europeia, muçulmana e bizantina. A busca pelo lucro, o racionalismo econômico, o aprimoramento da tecnologia marítima e o racionalismo econômico manifestavam que os antigos ditames feudais não permaneceriam intocados. Do ponto de vista econômico, a antiga feição agrária da Europa ganhava outros contornos.
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Os senhores feudais, interessados pelas mercadorias que vinham do mundo oriental, reorganizaram o modelo de produção de suas terras buscando excedentes que pudessem sustentar esse novo padrão de consumo. Além disso, a estrutura rígida do sistema servil cedeu espaço para o arrendamento de terras e a saída de servos atraídos pelo novo modo de vida existente nos espaços urbanos revitalizados. Assim, o feudalismo dava os primeiros indícios de sua crise.

Ao mesmo tempo em que houve o contato entre as culturas, não podemos esquecer que a intolerância religiosa também foi outro importante signo deixado pelas Cruzadas. Do ponto de vista histórico, a perseguição aos judeus e aos muçulmanos se fortaleceu com essas situações de conflito. Não por acaso, podemos notar que os reinos ibéricos, por exemplo, empreenderam uma forte campanha contra indivíduos não cristãos na passagem da Idade Média para a Idade Moderna.

As Cruzadas demonstram que as consequências das ações humanas nem sempre se concretizam conforme seus anseios e expectativas. Contudo, foi essa mesma imprevisibilidade que nos indicou a constituição de novos rumos que romperam o ordenamento feudal. De fato, é praticamente impossível não pensar na contribuição profunda deste evento histórico para que a Europa Moderna ensaiasse os seus primeiros passos.
No século XI, a expansão do mundo islâmico estabeleceu o domínio da região da Palestina. Inicialmente, o controle territorial exercido pelos árabes ainda permitiu que a cidade sagrada de Jerusalém fosse visitada por vários cristãos que peregrinavam em direção ao lugar em que Cristo viveu o seu calvário. Contudo, nos fins desse mesmo século, a dominação realizada pelos turcos impediu que a localidade continuasse a ser visitada pelos cristãos.
Nessa mesma época, a ordenação do mundo feudal sofria graves transformações. O fim das invasões bárbaras e a experimentação de uma época mais estável permitiram que a produção agrícola aumentasse e, seguidamente, a população europeia também sofresse um incremento. Interessados em não dividir o seu poder, muitos senhores feudais preferiram repassar sua herança somente ao filho mais velho, obrigando os outros descendentes a viverem de outras formas.

Aqueles que não ingressavam na vida religiosa, buscavam na prestação de serviço militar ou em um casamento vantajoso uma forma de buscar alguma garantia. Contudo, aqueles que não tinham como recorrer a tais alternativas, acabavam vivendo de pequenos crimes, assaltos e cobrança de pedágios sobre aqueles que circulavam a Europa Medieval. Além disso, em algumas propriedades, muitos camponeses não suportavam as obrigações servis e passavam a viver como mendigos e assaltantes.

Foi nesse contexto que o papa Urbano II, em reunião do Concílio de Clermont, convocou a cristandade europeia para lutar contra os infiéis que impediam o acesso à Terra Santa. Todo aquele que participasse da luta contra os muçulmanos teriam os seus pecados automaticamente perdoados. Dessa forma, dava-se início às Cruzadas ou movimento cruzadista.

Mais do que conceder salvação àqueles que pegassem em armas, as Cruzadas também representaram uma interessante alternativa às tensões sociais que se desenhavam na Europa Medieval. A escassez de terras para a nobreza poderia ser finalmente resolvida com o domínio dos territórios a leste. De fato, ao conquistarem domínios na Síria, no Império Bizantino e na Palestina, vários nobres formaram propriedades que deram origem a diversos Estados feudais, conhecidos como reinos francos ou latinos.

A conquista foi logo contra-atacada pelos muçulmanos, que contaram com a liderança militar do sultão Saladino na Terceira Cruzada. Ao fim desse novo embate, as terras conquistadas pelos cristãos se reduziram a algumas regiões do litoral Palestino e da Síria. Dessa forma, não podemos dizer que o movimento cruzadista representou uma solução definitiva à falta de terras que tomava conta da Europa Cristã.

Em contrapartida, o domínio de certas regiões do Oriente Médio acabou permitindo o enriquecimento de algumas cidades comerciais que sobreviveram ao processo de ruralização da era feudal. Locais como Gênova e Veneza aproveitaram as novas oportunidades de comércio, chegando ao ponto de incitar seus mercadores a financiarem a ação militar dos cruzadistas disponibilizando recursos materiais, embarcações e dinheiro para a Quarta Cruzada (1202 - 1204).

Dessa forma, mesmo não sendo uma solução duradoura para os problemas europeus, as Cruzadas foram importantes para a criação de um fluxo comercial que permitiu a introdução de várias mercadorias orientais no cotidiano da Europa. Além disso, o contato com os saberes do mundo bizantino e árabe foi importantíssimo para o progresso intelectual necessário para o desenvolvimento das posteriores grandes navegações.

Referência Bibliográfica
·         JUNIOR. Hilário Franco. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Editora Brasiliense,2006.  
·         FALCON, Francisco. A Formação do Mundo Moderno: a construção do Ocidente dos séculos XIV ao XVIII. Rio de Janeiro: Editora Campus,2006.

·         BASCHET, Jérôme. A Civilização Feudal: do ano mil  à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Dom Paulo, a fé a serviço do povo brasileiro
Em 50 anos como bispo, ele fez da justiça social sua missão


                                 "Não fazer política é a pior maneira de fazer política", dizia o sacerdote
Templo máximo da Arquidiocese de São Paulo, a Catedral da Sé consagrou-se na história recente como local de fé e resistência, onde as homenagens religiosas muitas vezes trajam uma bata política.
Não seria diferente na celebração dos 50 anos da ordenação episcopal de dom Paulo Evaristo Arns, em missa realizada no sábado 2. Há quatro décadas, o então arcebispo paulista abriu as portas da catedral para um ato inter-religioso que denunciou a morte do jornalista de origem judaica Vladimir Herzog, torturado e assassinado pelos militares durante a ditadura. Natural, portanto, que temas políticos marcassem a entrega do Jubileu de Ouro a dom Paulo.
Ouvido atentamente pelos admiradores do arcebispo emérito de 94 anos, presente à missa apesar da saúde debilitada, um dos discursos que recordou a luta do sacerdote contra a repressão militar serviu à reflexão sobre a crise política atual no País.
O ativista católico Chico Whitaker, assessor de dom Paulo durante os anos 1970, foi aclamado pelos fiéis ao comentar o difícil momento brasileiro. “Elegemos um vice-presidente e uma maioria congressual que representam interesses e objetivos muito diferentes, e às vezes até mesmo opostos, aos da presidenta eleita”, alertou, após lembrar uma emblemática frase do homenageado: “Não fazer política é a pior maneira de fazer política.”
De formação e hábitos franciscanos, dom Paulo é um missionário que dedicou sua vida à defesa dos pobres e à justiça social. A denúncia da tortura e da perseguição política durante a ditadura está diretamente relacionada à sua pregação religiosa.
“Diante da repressão, ele podia ignorá-la ou procurar entendê-la”, afirma Whitaker. “Ele naturalmente descobriu que não bastava a assistência e a caridade. Era fundamental investir na ação política.”


         Por feitos como a denúncia do assassinato de Herzog, o arcebispo emérito merece todas as                homenagens (Foto: Estadão Conteúdo)
Em 1966, dom Paulo tornou-se bispo em um momento de renovação na Igreja Católica. Quatro anos antes, o então papa João XXIII deu início ao Concílio Vaticano II, que buscava redefinir o papel da religião na sociedade, com foco em uma nova orientação pastoral voltada para a resolução dos problemas sociais e econômicos. No Brasil, a cartilha ganhou força após a Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em 1968 em Medellín, na Colômbia.
As reuniões foram fundamentais para o desenvolvimento da Teologia da Libertação, preocupada prioritariamente com a promoção da justiça social, e para a consolidação das Comunidades Eclesiais de Base, que buscavam substituir a supremacia das paróquias na organização da vida religiosa pela valorização de comunidades menores, com a presença tanto de integrantes da Igreja quanto de leigos. Atento à renovação, dom Paulo abraçou a nova doutrina e o modelo descentralizado de comunidades.
O sacerdote tornou-se arcebispo de São Paulo em um momento crucial. Em 1969, um grupo de dominicanos foi preso pelo delegado Sérgio Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social, sob acusação de manter laços com a Ação Libertadora Nacional, organização de luta armada comandada por Carlos Marighella.
Uma das lideranças dominicanas, Frei Tito foi brutalmente torturado. À época, dom Agnelo Rossi, então arcebispo paulista, preferiu não interceder em favor dos presos. A repercussão dos relatos de Tito publicados na Europa levou o então papa Paulo VI a substituir Rossi por dom Paulo no comando da Arquidiocese.
Pouco após assumir o cargo, dom Paulo não se omitiu ao tomar conhecimento da prisão do padre Giulio Vicini e da assistente social leiga Yara Spaldini pelo Departamento de Ordem Política e Social em 1971. O sacerdote foi pessoalmente ao Deops e testemunhou as agressões físicas sofridas por seus colaboradores.
“Quando ele soube que ambos foram torturados, passou a mostrar a que veio”, recorda Maria Ângela, secretária pessoal do cardeal por cerca de 40 anos. Dom Paulo divulgou no jornal O São Paulo, semanário da Arquidiocese, uma nota-denúncia sobre a violência sofrida por Vicini e Yara, além de determinar que o texto fosse afixado na porta das igrejas e dos oratórios públicos. “Foi um impacto enorme, alguns padres mais velhos tiveram medo”, lembra Maria Ângela. “Ele, que ainda era desconhecido na própria igreja, ganhou muita projeção”.

     Chico Whitaker assessorou dom Paulo na formação das CEBs e Leonardo Boff foi defendido pelo ex-professor de Roma (Fotos: Miguel Medina/AFP e Mayela Lopez/AFP)
No ano seguinte, por iniciativa de dom Paulo, a Assembleia da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil publicou o Documento de Brodósqui, um relatório que denunciava as prisões arbitrárias, a tortura e o desaparecimento de perseguidos políticos após a aprovação do Ato Institucional nº 5.
A partir de 1973, o arcebispo passou a celebrar missas com forte conteúdo político. O assassinato pelos militares do líder estudantil Alexandre Vannucchi Leme, da ALN, foi respondido com uma missa-protesto na Catedral da Sé para contestar a versão oficial apresentada pela ditadura para sua morte, segundo a qual o estudante teria sido vítima de um atropelamento.
Em 1975, o ato inter-religioso em homenagem a Herzog serviu também para manifestar repúdio à versão de que o jornalista teria cometido suicídio.
Além das denúncias contra as arbitrariedades da repressão, dom Paulo notabilizou-se por seu engajamento na consolidação das Comunidades Eclesiais de Base. Um de seus principais parceiros no desenvolvimento do projeto, Whitaker afirma que a experiência na periferia foi um “banho de realidade” e o ensinou muito em termos de representação política. “Havia enorme horizontalidade nas comunidades. Os coordenadores eram renovados periodicamente e tornavam-se auxiliares das novas lideranças.”
Segundo Leonardo Boff, expoente da Teologia da Libertação, D. Paulo não enxergava as comunidades como uma simples frente de pastoral ou um prolongamento da paróquia em meios pobres. O objetivo era valorizar tanto as bases sociais como a participação dos leigos. “Dom Paulo animava-os a decidirem os caminhos da Igreja e aceitava suas sugestões.”



Para reforçar o aspecto pedagógico das comunidades, lembra Boff, o arcebispo convidou o pedagogo Paulo Freire para acompanhar as atividades na periferia. “Além de sua dimensão especificamente religiosa, as comunidades de base eram centros de conscientização, de resistência contra a ditadura e de construção da cidadania”, afirma. A articulação das comunidades é, por sinal, um dos pontos de partida para a fundação do Partido dos Trabalhadores em 1980.
Boff tem muito a agradecer a dom Paulo. O cardeal foi professor do teólogo em Petrópolis e o ajudou a ingressar na Universidade de Munique. Em 1982, Boff foi alvo de um processo doutrinário na Congregação para a Doutrina da Fé, antiga Inquisição, por conta da publicação de seu livro Igreja: Carisma e Poder, crítico às instituições católicas tradicionais. O interrogatório foi conduzido pelo então cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento XVI.
Dom Paulo acompanhou Boff a Roma para defendê-lo no processo. “Ao lado do cardeal Aloysio Lorscheider, ele argumentou a Ratzinger: ‘Damos nosso testemunho de pastores de que se trata de uma teologia edificante e boa para a Igreja’”, lembra o ex-aluno do arcebispo emérito.
Dom Paulo convidou ainda o cardeal a “visitar as comunidades eclesiais no Brasil e rezar com o povo”. Em seguida, negociou que Boff e seu irmão apresentassem um documento à congregação para ressaltar a importância da Teologia da Libertação.
Após o fim da ditadura, dom Paulo seguiu no comando da Arquidiocese paulista até 1998, quando renunciou por limite de idade e tornou-se arcebispo emérito. Nos últimos anos, seu estado de saúde piorou, mas não o suficiente para impedi-lo de comparecer à missa em sua homenagem no sábado 2.
Hoje, quem mais se esforçou em romper com o silêncio da ditadura não tem condições de verbalizar sua posição sobre a crise política no País. Arns não tem dado entrevistas ou declarações públicas, mas quem o conhece garante que sua posição seria contrária ao impeachment de Dilma Rousseff.
“Ele sempre soube de que lado ficar e foi um defensor inarredável da democracia”, afirma Boff. “Ele não tem condições de falar, mas estou certo de que está atento e sofrendo muito com essa situação de ilegalidade. ”
Fiel escudeira de tantos anos, Maria Ângela diz que o sacerdote preserva seu hábito de ler diariamente os jornais. “Ele se tornou um homem de oração, mas tenho certeza de que está sensibilizado e rezando muito para o Brasil voltar aos eixos”, diz. “Em suas conversas com Deus, ele deve estar pedindo pela iluminação do povo brasileiro. O carinho pelo povo sempre foi sua principal característica. ” 
*Reportagem publicada originalmente na edição 909 de CartaCapital, com o título "A fé a serviço do povo brasileiro".www.cartacapital.com.br. 18/07/2016 às 11h:50.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Revolução Francesa

Pode se dizer que a Revolução Francesa teve relevante papel nas bases da sociedade de uma época, além de ter sido um marco divisório da história dando início à idade contemporânea.
Fui um acontecimento tão importante que seus ideais influenciaram vários movimentos ao redor do mundo, dentre eles, a nossa Inconfidência Mineira.
Esse movimento teve a participação de vários grupos sociais: pobres, desempregados, pequenos comerciantes, camponeses (estes, tinham que pagar tributos à nobreza e ao clero).
Em 1789, a população da França era a maior do mundo, e era dividida em três estados: clero (1º estado), nobreza (2º estado) e povo (3º estado).
  • Alto clero (bispos, abades e cônicos)
  • Baixo clero (sacerdotes pobres)
  • Nobreza cortesã (moradores do Palácio de Versalhes)
  • Nobreza provincial (grupo empobrecido que vivia no interior)
  • Nobreza de Toga (burgueses ricos que compravam títulos de nobreza e cargos políticos e administrativos)
Povo
  • Camponeses
  • Grande burguesia (banqueiros, grandes empresários e comerciantes)
  • Média burguesia (profissionais liberais)
  • Pequena burguesia (artesãos e comerciantes)
  • Sans-culottes (aprendizes de ofícios, assalariados, desempregados). Tinham este nome porque não usavam os calções curtos com meias típicos da nobreza.
O clero e a nobreza tinham vários privilégios: não pagavam impostos, recebiam pensões do estado e podiam exercer cargos públicos.
O povo tinha que arcar com todas as despesas do 1º e 2º estado. Com o passar do tempo e influenciados pelos ideais do Iluminismo, o 3º estado começou a se revoltar e a lutar pela igualdade de todos perante a lei. Pretendiam combater, dentre outras coisas, o absolutismo monárquico e os privilégios da nobreza e do clero.
A economia francesa passava por uma crise, mais da metade da população trabalhava no campo, porém, vários fatores (clima, secas e inundações), pioravam ainda mais a situação da agricultura fazendo com que os preços subissem, e nas cidades e no campo, a população sofria com a fome e a miséria.
Além da agricultura, a indústria têxtil também passava por dificuldades por causa da concorrência com os tecidos ingleses que chegavam do mercado interno francês. Como consequência, vários trabalhadores ficaram desempregados e a sociedade teve o seu número de famintos e marginalizados elevados.
Toda esta situação fazia com que a burguesia (ligada à manufatura e ao comércio) ficasse cada vez mais infeliz. A fim de contornar a crise, o Rei Luís XVI resolveu cobrar tributos ao povo (3º estado), em vez de fazer cobranças ao clero e a nobreza.
Sentindo que seus privilégios estavam ameaçados, o 1º e 2º estado se revoltaram e pressionaram o rei para convocar a Assembleia dos Estados Gerais que ajudaria a obrigar o povo a assumir os tributos.
OBS: A Assembleia dos Estados Gerais não se reunia há 175 anos. Era formada por integrantes dos três estados, porém, só era aceito um voto para cada estado, como clero e nobreza estavam sempre unidos, isso sempre somava dois votos contra um do povo.
Essa atitude prejudicou a nobreza que não tinha consciência do poder do povo e também porque as eleições para escolha dos deputados ocorreram em um momento favorável aos objetivos do 3º estado, já que este vivia na miséria e o momento atual do país era de crise econômica, fome e desemprego.
Em maio de 1789, após a reunião da Assembleia no palácio de Versalhes, surgiu o conflito entre os privilegiados (clero e nobreza) e o povo. A nobreza e o clero, perceberam que o povo tinha mais deputados que os dois primeiros estados juntos, então, queria de qualquer jeito fazer valer o voto por ordem social. O povo (que levava vantagem) queria que o voto fosse individual.
Para que isso acontecesse, seria necessária uma alteração na constituição, mas a nobreza e o clero não concordavam com tal atitude. Esse impasse fez com que o 3º estado se revoltasse e saísse dos Estados Gerais. Fora dos Estados Gerais, eles se reuniram e formaram a Assembleia Nacional Constituinte. O rei Luís XVI tentou reagir, mas o povo permanecia unido, tomando conta das ruas. O slogan dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Em 14 de julho de 1789 os parisienses invadiram e tomaram a Bastilha (prisão) que representava o poder absoluto do rei, já que era lá que ficavam os inimigos políticos dele. Esse episódio ficou conhecido como "A queda da Bastilha".
O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram.
No dia 26 de agosto de 1789 a Assembleia Nacional Constituinte proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujos principais pontos eram:
  • O respeito pela dignidade das pessoas
  • Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei
  • Direito à propriedade individual
  • Direito de resistência à opressão política
  • Liberdade de pensamento e opinião
Em 1790, a Assembleia Constituinte reduziu o poder do clero confiscando diversas terras da Igreja e pôs o clero sob a autoridade do Estado. Essa medida foi feita através de um documento chamado “Constituição Civil do Clero”. Porém, o Papa não aceitou essa determinação. Sobraram duas alternativas aos sacerdotes fiéis ao rei.
  1. Sair da França
  2. Lutar contra a revolução
Muitos concordaram com essa lei para poder permanecer no país, mas os insatisfeitos fugiram da França e no exterior decidiram se unir e formar um exército para reagir à revolução. Em 1791, foi concluída a constituição feita pelos membros da Assembleia Constituinte.
Principais tópicos dessa constituição
  • Igualdade jurídica entre os indivíduos
  • Fim dos privilégios do clero e nobreza
  • Liberdade de produção e de comércio (sem a interferência do estado)
  • Proibição de greves
  • Liberdade de crença
  • Separação do estado da Igreja
  • Nacionalização dos bens do clero
  • Três poderes criados (Legislativo, Executivo e Judiciário)
O rei Luís XVI não aceitou a perda do poder e passou a conspirar contra a revolução, para isso contatava nobres emigrados e monarcas da Áustria e Prússia (que também se sentiam ameaçados). O objetivo dos contrarrevolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a monarquia absoluta (veja Absolutismo na França). Em 1791, Luís XVI quis se unir aos contrarrevolucionários e fugiu da França, mas foi reconhecido, capturado, preso e mantido sob vigilância.
Em 1792, o exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de Valmy. Essa vitória deu nova força aos revolucionários franceses e tal fato levou os líderes da burguesia decidir proclamar a República (22 de setembro de 1792). Com a proclamação, a Assembleia Constituinte foi substituída pela Convenção Nacional que tinha como uma das missões elaborar uma nova constituição para a França. Nessa época, as forças políticas que mais se destacavam eram as seguintes:
  • Girondinos: alta burguesia
  • Jacobinos: burguesia (pequena e média) e o proletariado de Paris. Eram radicais e defendiam os interesses do povo. Liderados por Robes Pierre e Saint-Just, pregavam a condenação à morte do rei.
  • Grupo da Planície: Apoiavam sempre quem estava no poder.
Mesmo com o apoio dos girondinos, Luís XVI foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793. A morte do rei trouxe uma série de problemas como revoltas internas e uma reorganização das forças absolutistas estrangeiras.
Foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário (responsável pela morte na guilhotina de muitas pessoas que eram consideradas traidoras da causa revolucionária).
Esse período ficou conhecido como “Terror”, ou "Grande Medo", pois os não-jacobinos tinham medo de perder suas cabeças.
Começa uma ditadura jacobina, liderada por Robes Pierre. Durante seu governo, ele procurava equilibrar-se entre várias tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares.
Robes Pierre conseguiu algumas realizações significativas, principalmente no setor militar: o exército francês conseguiu repelir o ataque de forças estrangeiras. Durante o governo dele vigorou a nova Constituição da República (1793) que assegurava ao povo:
  • Direito ao voto
  • Direito de rebelião
  • Direito ao trabalho e a subsistência
  • Continha uma declaração de que o objetivo do governo era o bem comum e a felicidade de todos.
Quando as tensões decorrentes da ameaça estrangeira diminuíram, os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra Robes Pierre que sem o apoio popular foi preso e guilhotinado em 1794.
Após a sua morte, a Convenção Nacional foi controlada por políticos que representavam os interesses da alta burguesia. Com nova orientação política, essa convenção decidiu elaborar outra constituição para a França.
A nova constituição estabelecia a continuidade do regime republicano que seria controlado pelo Diretório (1795 - 1799). Neste período houve várias tentativas para controlar o descontentamento popular e afirmar o controle político da burguesia sobre o país. Durante este período, a França voltou a receber ameaças das nações absolutistas vizinhas agravando a situação.

Nessa época, Napoleão Bonaparte ganhou prestígio como militar e com o apoio da burguesia e do exército, provocou um golpe. Em 10/11/1799, Napoleão dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo chamado Consulado. Esse episódio ficou conhecido como 18 Brumário. Com isso ele consolidava as conquistas da burguesia dando um fim para a revolução.

terça-feira, 12 de julho de 2016

AS MÍDIAS E QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS
André José do Nascimento

         O vídeo “Cores e botas” representa uma interessante via de discussão acerca das representações sobre a população negra no Brasil. A partir dele podemos refletir sobre as particularidades do racismo na sociedade brasileira, e como este se expressa tanto na mídia quanto nas relações interpessoais, destacando-se aqui o papel do ambiente escolar.
         A partir da sua leitura, reflita e responda: Em que aspectos/falas/atitudes dos personagens é possível perceber a ideologia da democracia racial em ação? De que modo a televisão e a escola (duas das mais importantes instituições na socialização infantil) contribuem, no vídeo, para a perpetuação dessa representação ideológica? Que estratégias pedagógicas você proporia para problematizar essa ausência da representação positiva do homem negro e da mulher negra na televisão?
          O vídeo “Cores e bota” é uma clara demonstração de que o mito da democracia racial está presente em nossa sociedade, basta observamos as telenovelas, onde o negro muitas vezes é representado nos papeis de inferioridade, Solange Martins Couceiro de Lima, no seu artigo: Reflexos do “Racismo à brasileira na mídia”, diz o seguinte:
“Ninguém desconhecer a galeria de papeis subalternos, de empregados domésticos, subservientes ou então estereotipados que foram sempre reservados a atores e atrizes negros. Ou então são as famosas mulatas que sempre serviram de tempero para as histórias brasileiras. ” (LIMA, pag.58)

         Dessa forma a mídia vem contribuindo de forma contundente e ideológica para a sustentação do racismo no Brasil, mostrando sempre o negro numa posição social de inferioridade. Já que a população negra é maioria nesse país, mas a mídia tenta demonstra um outro lado, que é uma sociedade formada por maioria branca, causando uma situação de racismo. Por que passa para a grande massa uma ideia de embranquecimento.
          Essa discussão nos leva a perceber o quanto a cultura afro-brasileira é desprezada pela mídia, e isso afeita muitas vezes o ambiente escolar, por que o aluno não se sente representado nos programas midiáticos, e quando é representando é sempre de forma pejorativa, como um exótico, símbolo sexual e etc. Isto faz com que o negro e a negra se sinta inferior perante ao branco, que é mostrado como sinônimo de beleza e de sucesso. 
         É preciso que o professor reflita juntamente com seus alunos sobre o mito da democracia racial. Em uma sociedade onde quase a meda população se considera declaram pardas e negras, totalizando assim 46% da população do Brasil se declararão. Então onde estão esses negros? Nos programas televisivos, esse negro só é mostrado na mídia muitas vezes em páginas policiais. Como mostra os dados do IBGE:

   Em comparação com o Censo realizado em 2000, o percentual de pardos cresceu de 38,5% para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010. A proporção de negros também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões. No mesmo período. Esse resultado também aponta que a população que se autodeclara branca caiu de 53,7% para 47,7% (91 milhões de brasileiros. (IBGE,2010)

           Dessa forma poderemos abri uma discursão sobre a existência do racismo no Brasil, em que o negro e a negra são as principais vítimas de uma ideologia, onde é colocado que o negro será sempre inferior ao branco. Por outro lado, podemos contribui para que os negros continuem lutando contra essa ideologia de inferioridade, mostrando a sua História de luta, resistência e identidade. Quando trazemos para sala de aula temas relacionados aos negros e negras será preciso mostra aos educandos que os africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos, tinham uma organização social e cultural muito forte, que vieram para as colônias portuguesas reis, rainhas, guerreiros, e que a população negra nunca aceitou a escravidão.
         Nessa luta contra a “dominação” do branco sobre o negro, foi combatida por várias pessoas como Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, na África do Sul e tantos outros. É preciso mostra para os alunos os heróis negros que até hoje lutam contra o racismo no Brasil. Além disso, é preciso desconstruir essa imagem que mídia impõe a população uma imagem do negro subalterno, exótico, sexual.
         Isto tudo pode ser combatido através de ações pedagógicas, como depoimento de negros e negras que apesar do racismo poderão chegar a uma posição de destaque na sociedade, com vídeos relatando a cultura afro-brasileira e outros temas que destaque os negros e negras. Uma experiência que tive na escola onde ministro aulas de História, foi a Semana da Consciência Negra, tivemos uma semana de debates abordando vários temas. Essas são algumas formas de combate ao racismo existente no Brasil.
O livro-didático e a história e cultura afro-brasileiras: auxílio pedagógico ou ferramenta de perpetuação de preconceitos?
        O ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no Brasil sempre foi lembrado nas aulas de História com o tema da escravidão negra africana. No presente texto pretendemos esboçar uma reflexão sobre como os livros didáticos tem abordado esse tema a partir implantação da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental e médio.

         A Lei 11.645/2008 altera a Lei 9.394/1996, modificada pela Lei 10.639/2003, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”. Isso implica a necessidade de abordar a temática em questão no ensino de todas as disciplinas do currículo da educação básica, que inclui o ensino fundamental e médio. 

         O livro didático durante muitos anos tratou a população negra como um subalterno que sempre viveu sobre a sombra do branco, que com sua ideologia de embranquecimento deixou de lado a História de um povo que sempre lutou por sua liberdade durante todo período da escravidão, essa ideologia racista perpassou séculos. Com as implantações das leis citadas anteriormente, tentamos conscientiza a sociedade de que a população negra é construtora de uma História que foi renegada em nome de uma elite escravocrata, que via no negro e na negra pessoas inferiores ao branco. 
       Sabemos que a escola compreende um espaço de complexos de debates de diferentes propostas de construção e socialização de saberes ( PCNH, pag. 19). Em relação a História e cultura afro-brasileira, era retratada de forma destorcida, onde o negro era visto sempre como um subalterno, um marginal, esses são alguns exemplos que os livros didáticos traziam do negro. Isso só foi mudando com a luta dos movimentos negros e acordos internacionais que obrigou o Brasil a implanta políticas de igualdade racial para repara as atrocidades que população negra viveu durante séculos.

      Podemos considerar como movimento negro todas as entidades ou indivíduos que lutaram e lutam pela sua liberdade, desenvolvem estratégias de ocupação de espaços e territórios, denunciam, reivindicam e desenvolvem ações concretas para sua conquista dos direitos fundamentais da sociedade. (BOULOS, pag. 40)

        A escola tem um papel fundamental na formação de novos cidadãos e o livro didático é um dos principais mecanismos nesse processo, atualmente os livros de História aborda de forma positiva a imagem do negro e negra, fazendo uma abordagem Historiográfica desde da origem da humanidade até a formação primeiras civilizações que surgiram na África. E também a História dos afro-brasileiros desde da colonização portuguesa na África, passando pela escravidão e as várias formas de resistência a escravidão.
        O livro didático de História traz uma imagem positiva do negro, na medida que mostra imagens de famílias negras, pessoas de destaque na sociedade brasileira como o ex-presidente do Supremo Tribunal de justiça Joaquim Barbosa, além disso, também trazem os costumes e a cultura afro-brasileira, isto mostra o quanto os livros didáticos vem sofrendo alterações no decorrer dos anos. Mais pôr a escola ser um lugar complexo de debates os professores não devem apenas utilizarem o livro didático como única ferramenta de discussões sobre a temática do negro é preciso utilizar outros meios de fomentação como a internet, filmes, livros paradidáticos que tratem do assunto.
             Um professor comprometido com ensino busca se qualificar para tenta transforma a realidade, esse princípio é fundamental por que a escola é onde se forma os futuros cidadãos então cabe ao educador combater as práticas racista que persiste na sociedade. Quando a temática é abordada no ambiente escolar ainda percebermos a resistência de alguns professores que se negam a trabalha a História e a cultura afro-brasileira por causa de ideologia religiosas e até mesmo preconceituosa.
            É preciso que alguns professores juntamente com coordenação pedagógica elaborem o seu plano de ensino aprendizagem e que incentivem seus colegas a trata da temática negra, por que o que adiante o livro didático aborda o tema se o educador e até mesmo a escola não se comprometem a desenvolver o conteúdo com os educandos.
         A Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana. Por exemplo, os professores devem ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas.
         A escola por força das leis 10. 639/03 e da 11.645/2008, não se pode mais negar a História de um povo que sempre viveu as margens da sociedade, por isso, os livros didáticos foram obrigados a trata da cultura afro-brasileira e História da África, essa é uma das formas de combater o preconceito contra o negro que foi instituído por uma elite branca e escravocrata. A construção da cidadania do negro passa pela escola que tem como um dos seus princípios forma cidadãos conscientes do seu papel na sociedade, e isto só será possível quando realmente com a igualdade dos povos ou nações que ajudaram na formação étnica e sociocultural do Brasil.
         É de fundamental importância que não só escola mais também toda comunidade escola se envolva na discussão da cultura afro-brasileira e africana, como já foi dito: o livro didático não é a única forma de trazer a temática ou historiografia do negro para a sala de aula. O livro é apenas o ponto inicial de uma discussão que perpassa o ambiente escolar, por isso a preocupação de muitos educadores é fazer com que o educando perceba a importância do negro e de sua cultura na formação do Brasil. É preciso também que o professor desenvolva atividades de construção de uma imagem positiva do negro por que a lei só será eficaz se todos nós que trabalhos na área de educação comprometemos com a construção de uma sociedade justa e igualitária.
           As lutas que os movimentos negros vieram travando durante os séculos tem sido de fundamental importância na construção da cidadania do negro e da negra brasileira, onde uma das suas principais conquistas foi a obrigatoriedade de os livros didáticos trazerem de forma positiva a História do povo negro. Esse processo não para por aqui é preciso que os educadores assumam o seu papel como formador de opinião, quebrando paradigmas que foram impostos a população negra.
          Além disso, as escolas devem adotar os livros que trazem a temática negra, não importando qual seja área de conhecimento, pois o MEC juntamente com as secretarias de educação disponibiliza subsídios para escolha dos livros didáticos e umas das orientações nesses subsídios é justamente é como escolher o material didático que traga a História e cultura afro-brasileira.
           O governo brasileiro vem tentando repara a população negra de tudo que eles sofreram no decorrer da História brasileira, por meios de ações afirmativas que vem contribuindo para uma construção positiva da imagem do negro perante a sociedade, isto fica bem explicito quando atualmente pegamos um livro didático encontramos a História do negro e imagens positivas dessa população que durante muitos anos tentaram esconder, com a ideologia do branqueamento.
          Portanto, a escola é o ponto de partida para a transformação de uma sociedade, e o livro didático é de fundamental importância nesse processo, por que é através dele que o educando terá o conhecimento necessário para sua vida. Lembrando que o livro não é o único mecanismo de conhecimento, já temos a internet, a televisão e uma serie de mídias que servem também para fomentação do conhecimento. É preciso um maior desprendimento dos professores quando forem trata de um determinado assunto na sala de aula, principalmente a questão étnica racial.
          Por fim, o educador não pode mais se omitir para tais questões, por que até alguns alunos podem aborda ou indaga o professor por que não abordou tal assunto já que o livro aborda o assunto em uns dos seus capítulos. A escola não tem mais aquela desculpa que não tem material didático para aborda a História e cultura afro-brasileira e a História da África, por que até livros paradidáticos, revistas, cartazes e outros matérias que trazem esse tema à tona.
         A escola pode até ser um espaço preconceituoso, mais isso ocorre ainda hoje por que a equipe gestora juntamente com os seus professores possuem uma postura racista e preconceituosa que deve ser combatida por aqueles que conhecem a leis que dá o direito de o negro e negra terem a sua História sendo trabalhada em sala de aula, não de forma pejorativa mais de forma positiva, relatando a resistência do povo negro através dos tempos.

Referências Bibliográfica 
·         BOULOS JUNIOR, Alfredo. História sociedade e cidadania. São Paulo: FTD, 2012.
·         BORGES, Roberto Carlos da Silva (org.). Mídia e Racismo: Coleção Negras e Negros: Pesquisas e Debates. ISBN da coleção: 978-85-61593-51-3.
·         Lei 10.639/03 - Diretrizes Curriculares para o estudo da História e cultura afro-brasileira e africana.
·         Lei 11.645/08 -  Incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
·         Parâmetros Curriculares de História do Ensino Fundamental e Médio do Estado de Pernambuco. Pernambuco: UNDIME,2010.   
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