DIMENSÕES DA REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA
NASCIMENTO, André José do[i].
A redemocratização brasileira se
deu através do esgotamento da ditadura militar, e também pelas lutas dos
movimentos sociais que se intensificavam cada vez mais. Á conjuntura política
pelo qual o Brasil estava passando, crise econômica, pois o país não
conseguiria mais empréstimos no exterior, causando um aumento da divida externa.
Com isso, a população passou a sofrer as consequências de um sistema de exploração
sobre boa parte da sociedade, por que o governo militar não mais tendo
condições de manter a política econômica desenvolvimentista teve que retroceder
buscando sacrificar a classe operaria, não reajustando os seus salários,
enquanto a inflação aumentava a cada dia levando grande parte da população a
uma situação de extrema pobreza.
É a partir desse momento que vai
emergir no Brasil o movimento operário do ABC [[II]]
Paulista, no qual surgirá um dos maiores representantes sindicais: Luiz Inácio
Lula da Silva (Lula), que consegui com os seus discursos e organização mobiliza
milhares de trabalhadores, com objetivo de lutar contra o patronato para
assegurar os direitos dos trabalhadores, como era suas condições de trabalho,
aumento salarial e, a permanência no emprego. Só que era preciso à formação de
um novo sindicato, pós os sindicatos estava sob a intervenção do Estado, como
era o caso dos sindicatos criados na Era Vargas e que tiveram continuidade nos
períodos posteriores.
Por isso é que
não tinham nenhum compromisso com a causa dos trabalhadores, determinadas
pessoas foram colocadas por Getúlio Vargas nos sindicatos para controlá-lo.
Então, na década de 1970, a classe dos operários começou a reivindicar um novo
sindicalismo independente e autônomo, pois só dessa forma, poderiam alcançar
uns dos seus objetivos que era mobilizar os trabalhadores contra a crise econômica
que afetava o Brasil no final dos anos de 1979 e inicio dos anos de 1980. Da seguinte forma:
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MINISTÉRIO DO TRABALHO
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CONFEDERAÇÕES
de
Profissionais
de
Trabalhadores
de Empresários
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FEDERAÇÕES
de
Profissionais
de
Trabalhadores
de Empresários
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SINDICATOS
de
Profissionais
de
Trabalhadores
de Empresários
|
Essa estrutura foi formulada no governo de
Getúlio Vargas, era uma tentativa de manter os sindicatos sobre o seu controle.
E que se mantém até os dias atuais.
A econômica brasileira
teve um período de desenvolvimento estrutural, com construções “faraônicas” de
rodovias federais, represas para geração de energia elétrica, energia nuclear,
além de Campos Universitários.
“Para os militares,
foram “eles” (a oposição) que impediram um segundo projeto de abertura, agora
sob a égide de Médici. Aproveitando-se do sucesso do econômico do Milagre
Brasileiro, do clima de euforia gerado pela vitoria na Copa do Mundo de 1970 e
da maciça propaganda em torno do Brasil Potência (Brasil, ame-o ou deixe-o,
dizia o slogan autoritário do regime), ter-se-ia conseguido realizar ao final
da gestão de Médici a transição para um regime democrático”. [[III]]
Esse desenvolvimento só foi possível devido a empréstimos estrangeiros,
principalmente dos Estados Unidos da América que era o grande incentivador das
Ditaduras Militares na Americana Latina. O desenvolvimento por certo tempo
alavancou a economia brasileira, mas o impulso econômico só atingiu a
burguesia, enquanto grande parte da população não sentia essas melhorias na sua
vida, uma pequena parte ficava cada vez mais rica e maioria ficava mais pobre.
Por outro lado, se existiam ainda
as perseguições políticas, onde muitos sindicalistas, membros de movimentos
sociais e dos partidos de esquerda eram reprimidos e presos por ter uma posição
contrária ao Regime Militar e sua política econômica que massacrava grande
parte da população. E estavam cansadas de tantas injustiças contra os
trabalhadores e os movimentos sociais.
Muitos desses começaram a se reunir nas
Igrejas, Associações de Bairros e até mesmo nas casas dos trabalhadores
tentando achar uma solução para os problemas sociais que eles estavam passando,
é nesse contexto social que vai se articulando uma das maiores greves que o
Brasil já teve. O ABCD e São Bernardo dos Campos, em São Paulo. Foi o palco desse movimento sindical mais expressivo,
por que em outros locais do território nacional havia outros movimentos como a
Liga Camponesa em Pernambuco.
“Operários de outros setores da
indústria logo seguiram a liderança de São Bernardo. Num período de nove
semanas 245.935 trabalhadores entraram em greve em nove cidades do Estado de
São Paulo. Dos metalúrgicos de São Paulo, o movimento estendeu-se a outros
Estados e outras categorias profissionais”. [[iv]]
Esses movimentos se uniram e formou
a Central Única dos Trabalhadores (CUT), se tornando o maior sindicato do
Brasil, por abrigar vários sindicatos que foram surgindo durante os anos de
1978 – 1990. A CUT ganhou tanta importância no cenário nacional que a partir
dela surgiram algumas lideranças políticas, que lutavam agora pelas diretas já
e por uma nova Constituição brasileira, buscando a construção de uma cidadania
que abrangesse desde o direito político até o de fazer greve.
O Partido dos Trabalhadores (PT)
surgiu na década de 1980 com a ideologia de uma política esquerdista tendo como
objetivo as lutas dos operários, pelo quais vários seguimentos trabalhistas e
lideranças que voltavam do exílio, onde PT passou a ser uma opção aos Partidos
existente. Devido a sua trajetória junto à classe trabalhadora e com a abertura
política do Regime Militar foi ganhando espaço na sociedade através de seu
principal membro: Lula junto com alguns militantes sindicais foi um dos
fundadores do PT. A organização se deu no ABC e São Bernardo dos Campos em São
Paulo, que aos poucos foi se consolidando no território nacional, apoiando os
trabalhadores através da organização sindicalistas nos estados e nos municípios
da federação. Outro segmento que se incorporou ao PT foi o “movimento
estudantil”, pois os estudantes quase sem representações políticas buscaram no Partido
dos Trabalhadores o apoio para lutar por melhores condições no ensino que se encontrava
em situações precárias.
O PT passará a ser uma voz forte
na conjuntura política e social do Brasil, no ano de 1989 se dará inicio a
primeira eleição direta, onde houve no primeiro turno uma polarização de
candidatos e legendas partidárias, no segundo turno vão surgir dois candidatos:
Lula do PT da ala esquerdista do Brasil, que defendia os trabalhadores, o seu
discurso não era muita aceita pela elite brasileira. Do outro lado tínhamos o
Fernando Collor de Melo, que defendia a cassação dos marajás e uma política de
crescimento econômico.
Além disso, mostrava-se como
um homem jovem e esportista, que de repente começou aparecer na mídia como o
“salvador da pátria”. Esse imaginário que a Rede Globo criou sobre Collor e a
manipulação do Debate ocorrido dias antes na mesma e os comentários logo após o
debate, mostrou o quanto a Globo foi importante para a eleição do Collor. Isso
mostrou o quanto o Presidente da TV Globo, o senhor Roberto Marinho, tinha uma
certa influencia na política brasileira e nos poderes constituídos a tal ponto
de manipulação o resultado de uma eleição e não ser responsabilizado pelos os seus atos.
Portanto os anos entre 1980 a 1990
foram marcados pelas lutas e protestos para a abertura política e a
redemocratização brasileira. Onde os grupos sociais e os partidos políticos se
fortaleceram e encabeçaram uma luta pela liberdade de expressão buscando
construir uma nova constituição para o país. Dessa forma poderiam assegurar os
direitos humanos, em busca desses ideais se formado um grupo, com membros da
sociedade civil organizada para formular a nova constituição que garantisse os
direitos dos cidadãos brasileiros. Como por exemplo, direito de fazer greves.
Foi a partir da década de
oitenta que os partidos políticos, vão se estruturar e buscar luta pela vaga de
presidente da República Federativa do Brasil. Em 1985 deu-se inicio á primeira
eleição depois da abertura política, neste momento a sociedade teria o direito
de escolher o seu presidente depois de 22 anos dos militares no poder, num
período sombrio da nossa História. Que não deve ser esquecido, mas que devemos
lembra sempre, debater e refletir junto à sociedade para que fatos como esses
não possam voltar a ocorrer no nosso país.
“Em
novembro de 1985, foi aprovada a emenda constitucional que convocava a
Assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana, a ser instalada no dia 1
de fevereiro de 1987, na sede do Congresso Nacional”. [[v]]
E também para que possamos
entender as heranças e as consequências desse período para a atualidade do
país. Devemos lutar contra toda forma de opressão, denunciando todos àqueles
que de alguma forma tentam oprimir o outro, pois o direito á cidadania é para
todos independente de classe, etnias, credo, sexo e etc. O Brasil saiu de um
regime ditatorial para um regime democrático que ainda precisa ser amadurecido,
pois temos resquícios do período militar presentes em nosso cotidiano, isso,
possivelmente só mudará quando os que participaram da pratica de torturas e
mataram com a finalidade de limpa o país da “praga” do comunismo forem
condenados pelos crimes cometidos e as famílias que perderam alguns dos seus
parentes possam ser indenizadas terem o direito de saber onde está o corpo dos
seus familiares. Dessa forma, podermos realmente ser um pais democrático. Além
de poder exercer outros direitos que ainda que seja restrita a pequena parcela
da população brasileira: educação de qualidade, bom atendimento em unidades
públicas de saúde, condições mínimas de sobrevivência.
Portanto a democracia de um
país, só é possível quando todos os cidadãos puderem participa ativamente da
vida política de uma nação, algo que no Brasil esta longe de acontecer.
Referencia Bibliográfica
FERREIRA,
Jorge e DELGADO, Lucila A.N. O Brasil Republicano. O tempo da ditadura: regime
militar e movimentos sociais em fins do século xx. Vol. 4. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2007, p. 167-205.
ALVES,
Maria Helena Moreira. Estado e Oposição no Brasil (1964 – 1984). Bauru, SP:
Esduc, 2005.
DAPIEVE,
Arthur. Brock: o rock brasileiro dos anos 80. Rio de Janeiro: Ed.34, 1995
GASPARI,
Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Contexto, 2001.
MOTA,
Carlos Guilherme. (org) Viagem Incompleta: A experiência Brasileira (1500 –
2000). São Paulo. Ed. Senac. p. 185 - 215
[i] Pós-Graduando em História
Contemporânea do Brasil pela Fundação de Ensino Superior de Olinda – FUNESO –
PE. – Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco.